sábado, 14 de julho de 2018

Paixão: Cinema/Teatro


Post dedicado à criticas e comentários sobre Cinema, Teatro e Novela em geral, com destaque. Destaque para trabalhos de Adriana Esteves, Vladimir Brichta e Cláudia Abreu.

Só serão aceitas críticas e comentários construtivos onde não é permitido ofensas aos atores e nem spoilers. Os comentários e críticas devem ser feitos de modo que instigue a curiosidade de quem ainda não assistiu aos filmes e peças. 

Enviar com nome, idade e estado onde mora para talmeida116@gmail.com 
Taís Almeida Cardoso - Adm. 

Sessões no Cine Joia (RJ) - 7 a 10 de julho (Encerrado)

 



  22º Encontro com o Espectador



Adriana Esteves 

#canastranocinema

A Ótima Safra do Cinema Nacional – E Por que o Público Não Comparece?

Neste fim de semana, um fato triste chamou atenção dos cinéfilos e defensores do bom cinema nacional. Canastra Suja, de Caio Sóh, um dos pontos altos da primeira metade de 2018, saiu de cartaz no Rio de Janeiro – a segunda maior praça do país – com apenas uma semana de exibição no circuito. O motivo? Pura e simplesmente, apesar de sua indiscutível qualidade, o público não compareceu.
A distribuição de um filme deste porte, uma produção pequena (o que poderíamos chamar de obra independente e autoral), já é bem restrita, ficando relegada a pouquíssimas salas do circuito. Isso, no entanto, não é um procedimento destoante apenas de nosso país, ocorrendo em grande parte do mundo, inclusive num mercado como o norte-americano, destaque quando o tópico é indústria cinematográfica. Produções elogiadíssimas por lá, vide Ex-Machina: Instinto Artificial (2014), A Bruxa (2015) – produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira – e Sombras da Vida (A Ghost Story), distribuídas pelo estúdio A24, sinônimo de qualidade na cena indie atual, tiveram lançamento restrito, permanecendo escondidos de grande parte do público.
Os exibidores fazem a sua parte, já que manter um cinema custa caro, e se o filme não dá público, ele precisa abrir espaço para outro que faça – mesmo que seja na semana seguinte. Portanto, aí adentramos na questão do espectador fazer a sua parte. Quem trabalha avaliando cinema ouve muito: “os filmes estão todos iguais”, “cadê os filmes bons”, “falta criatividade no cinema”, vindo de grande parte do público. Nestes casos a recomendação é: busque filmes fora do circuito dos multiplex de shopping. Busque cinema de rua. É a casa do cinema autoral, do cinema independente, onde os realizadores possuem mais liberdade para criar obras diferenciadas, longe de padrões, fora de caixinhas e fórmulas. É claro também que nem tudo irá agradar e que o paladar para este tipo de cinema se adquire com o tempo. Mas a chance de encontrar algo que você não está acostumado a ver, ou que viu pouco, é bem maior.

Os grandes filmes, chamados blockbusters, também não são culpados da padronização, já que é o público o responsável por moldá-los. Se algo dá certo, o mercado irá se voltar para isso e a produção deste conceito irá aumentar. É claro também que os realizadores aos poucos vão imprimindo nas obras certas ideias e expressões para ir moldando o público e ampliando assim sua visão, o reeducando. Aos poucos o espectador casual começa a assimilar certos aspectos cinematográficos, estilos artísticos – seja de roteiro ou narrativa e parte técnica – e a aumentar seu paladar para novos sabores. Na infância, temos certeza de gostar somente de um tipo de comida e com o passar dos anos, na fase adulta, somos despertados para outros tipos de pratos que podem ser igualmente saborosos.

Em resumo, o sucesso ou fracasso de uma obra cinematográfica está ligado a diversos fatores – muitas vezes que sequer dizem respeito a sua qualidade artística. O que devemos tirar disso é a ampliação de nossos horizontes, dar chance a outros tipos de filmes, aos quais não estamos acostumados, pois sair de nossa zona de conforto – como espectadores – é muito importante para o crescimento e uma lição a se levar para a vida.
O cinema nacional goza atualmente de uma de suas melhores fases, produzindo obras de temperos diversos e muitas tentativas de gênero. Nunca nosso cinema esteve tão bem visto lá fora, representando bem o país em festivais internacionais, dificultando a escolha dos especialistas por uma lista justa dos melhores. Este ano não foi diferente, e tivemos filmes como Aos Teus Olhos, As Boas Maneiras, Paraíso Perdido, Berenice Procura, Tungstênio, Além do Homem e Mulheres Alteradas – só para citar os mais recentes ainda em cartaz. Canastra Suja, o mais injustiçado do lote, chega como cereja no topo do bolo.
Ou seja, procurem filmes diferentes, saiam da rota do esperado, ampliem suas mentes, abracem o inusitado e celebrem os filmes nacionais.


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Batista (Marco Ricca) e Maria (Adriana Esteves) formam um casal que, aparentemente, é muito feliz em seu casamento. No entanto, a verdade é que as aparências enganam e muito; no fundo, Batista, um alcóolatra inveterado e Maria, que tem um caso com o namorado de sua filha mais velha, Emília (Bianca Bin), representam uma família que está à beira da ruína. 

Canastra Suja - Adoro Cinema

Críticas

Canastra Suja

Ultrarrealismo e tragédia

A proposta de Canastra Suja carrega certa dose de risco. Ao filiar seu filme a uma estética realista, que faz da câmera na mão e dos planos longos artifícios fundamentais para a construção de uma tensão subjacente, sempre prestes a explodir, o diretor Caio Sóh periga soar ultrapassado, repetidor de escolhas visuais de impacto no cinema brasileiro até a década passada, mas, hoje, já diluídas em séries e minisséries da televisão aberta.  

Ao contar a história de uma família do subúrbio carioca em degenerescência, ele arrisca duplamente: por remeter de alguma forma a toda uma tradição do cinema social originário no neorrealismo italiano — e há nessa equação obras-primas do peso de Rocco e Seus Irmãos (1960) — e por flertar com um cinema latino-americanorecente, que frequentemente aposta na exploração extrema das misérias humanas.

Daí ser admirável a integridade que Sóh consegue imprimir a Canastra Suja. Em parte, ela vem já do plano que abre o filme, no qual uma câmera subjetiva, convidada por Pedro (Pedro Nercessian), adentra a casa de sua família. Nesse momento inicial, é como se o protagonista, num gesto metalinguístico, trouxesse o espectador para a intimidade dos personagens, autorizando-o a espiar sem pudores o estado de decomposição em que se encontram. No entanto, o diretor retoma o mesmo plano na conclusão da narrativa, revelando a existência de uma identidade específica por trás daquele olhar subjetivo, a princípio atribuído genericamente à plateia: Batista (Marco Ricca), o chefe da família que protagoniza Canastra Suja, reintroduzido no lar após ser inocentado de uma acusação terrível e injusta. Trata-se da passagem do mero desejo voyeurístico, que poderia tornar o filme uma espécie de exploitation miserabilista, ao impulso humanista, à adesão aos dramas de homens e mulheres que se aproximam muito da concretude.

E de fato esse interesse absoluto pelos personagens atravessa Canastra Suja. A atenção que Sóh dedica a cada pequeno gesto, a cada componente das personalidades de Pedro, Batista, Maria (Adriana Esteves) e Emília (Bianca Bin), é fundamental para o estabelecimento de uma relação com eles calcada muito mais na cumplicidade que no juízo de valor — caminho bem mais fácil de ser seguido, considerando a estupidez recorrente dos atos do quarteto. Em razão dessa empatia criada pelo diretor, a predisposição dos personagens à autodestruição se torna crível e dolorosa, indo muito além de um artifício de roteiro para causar impacto. Nesse sentido, cenas de explosão dramática como a do embate físico entre pai e filho ou a do grito desesperado da matriarca remetem muito mais, novamente, à tragédia familiar devastadora de um Rocco e Seus Irmãos que ao sensacionalismo dos filmes de Michel Franco ou Pablo Trapero, por exemplo.

Aliás, essa proximidade com a obra-prima de Luchino Visconti também existe na estrutura narrativa, em que cada capítulo é dedicado a um membro da família (em Rocco e Seus Irmãos, os títulos se referem aos nomes dos irmãos, em Canastra Suja, a uma carta de baralho que remete aos personagens), e na conjugação entre realismo e tragédia. Sóh manipula muito bem os elementos mais clássicos do drama, fazendo uso preciso deles quando necessário para levar a história além da mera observação cotidiana, introduzir nela mais substrato factual. É o caso do epílogo do filme, alicerçado sobre um acontecimento dramaticamente explosivo, que, disfarçado de culminância da degradação humana observada até ali, não deixa de fazer bastante sentido. 

Em seguida, no entanto, visando à cumplicidade anteriormente citada, o diretor dá um passo atrás, por meio de um Deus Ex-Machina (habilidosamente justificado na escolha da carta curinga como título do último capítulo) que, considerado o desenvolvimento dos personagens, também soa verossímil.

Canastra Suja só desliza em breves momentos de excessiva autoconsciência, nos quais Sóh busca, através da ironia, explicitar comentários mais políticos: a segunda, e desnecessária, cena com Emílio Orciollo Netto e partes da longa sequência na casa do personagem de Milhem Cortaz. Em ambas, o diretor torna muito literal o esforço para comentar a hipocrisia das elites brasileiras, que não é exatamente o tema do filme. Funciona como um adendo, talvez meio culpado, à representação de pessoas pobres como degradadas, decadentes. É justo, mas compromete a coesão de uma narrativa quase impecável — encerrada com um belo momento agridoce, que reforça a visão, essa sim presente ao longo de todo Canastra Suja, da família como uma forma de maldição da qual por vezes parece impossível escapar.

Wallace Andrioli - Historiador, pesquisador e crítico de cinema apaixonado pelos filmes de Alfred Hitchcock, Billy Wilder, Clint Eastwood, Edward Yang e Wong Kar-Wai.




Não é fácil segurar o espectador na poltrona por duas horas diante de um drama brasileiro. Roteirista e diretor de Canastra Suja, Caio Sóh consegue a façanha, graças às ótimas atuações, aos diálogos poderosos e a uma trama de segredos entranhados numa família de classe média baixa do Rio de Janeiro. Bianca Bin e Adriana Esteves são a primogênita e a esposa de Batista (Marco Ricca), um manobrista alcoólatra. No mesmo núcleo encontram-se a caçula autista (Cacá Ottoni) e o filho marrento (Pedro Nercessian). Entre discórdias e traições, há muitas reviravoltas. Direção: Caio Sóh (Brasil, 2018, 121min). 16 anos.

Veja Rio

Filmaço e o elenco está fera, vendo novamente se pega detalhes, monta o quebra cabeça que, vendo pela 1ª vez nem sempre se pega! E quero comprar em DVD quando sair. Também adorei ver fotos dos bastidores que foram mostrados nos créditos, acho que não vi quando foi exibido na Mostra de SP.

Dica pra galera da produção do filme, elenco, e público que ama o Cinema Nacional - Batalhem na divulgação! Mas batalhem com força e com muito orgulho e amor pelo trabalho realizado pra que possamos levar cada vez mais número de pessoas às salas de cinema de FILMES NACIONAIS - em especial nos filmes no estilo de Drama e Suspense. Falo isso por amar demais cinema desde meus 2 anos de idade (minha 1ª ida ao cinema foi pra assistir E.T - O Extraterrestre - mas minha mãe sempre me levava ao cinema durante toda minha infância pra ver filmes infantis - sejam nacionais ou internacionais - até eu poder ir sozinha com amigos e até mesmo sozinha, porq jamais deixo de assistir a um filme que quero muito por falta de companhia. Mas as divulgações dos filmes nacionais têm que ser mais intensificadas.....  Os filmes são bem feitos com elenco brilhando, mas a realidade do Cinema Nacional nossa é bem triste 😓😓😓😓😓

Taís Almeida Cardoso - Administradora


  Mural de Fãs
 FILME MARAVILHOSO! Tive o privilégio de assisti na Mostra e AMEI! O filme é repleto de cenas tensas tanto quando os personagens estão interagindo uns com os outros quando cada personagem está em seu momento individual. TODOS os personagens têm função fundamental pra todo o enredo. Há muitos momentos de suspenses nesse drama focado numa família simples e, que aparentemente, se respeita. A relação conturbada só é mostrada logo no início entre o filho com o pai - dos demais, parece que está tudo bem, SERÁ? A personalidade de cada membro da família vai sendo mostrada, ao longo do filme, de forma forte pra uns e sutil pra outros...o que dá o tom de suspense e surpresas, MUITAS SURPRESAS! Eu mesma, q amo filmes desse gênero, fiquei chocada com cada revelação que ocorria com os envolvimentos dos personagens e nas personalidade deles, não imaginava tal desfecho pra certos personagens e, esses desfechos se concretizam até o último segundo do filme, o que não é uma tarefa nada fácil pra um filme de suspense manter as surpresas escondidas até o momento em q aparecem os créditos finais! Uma das surpresa é: QUEM SERÁ O FAMOSO CORINGA QUE VAI SUJAR ESSA CANASTRA? 

Atuações brilhantes de todos do elenco, em especial Marco Ricca, Adriana Esteves, Pedro Nercessian, Bianca Bin e Cacá Ottoni. A escolha dos atores pra serem os filhos foi mega acertada. Além do 3 atores estarem brilhantes em seus papéis, Pedro, Bianca e Cacá são parecidos fisicamente, pareciam irmãos de verdade! Parabéns a todos os envolvidos nesse projeto que já é um dos meus filmes preferidos do gênero drama/suspense.



Eu adorei esse filme! Assisti pela 1ª vez num cinema de arte, em Campinas, meses depois, o livro foi leitura obrigatória no colégio, em Literatura e, ia cair no vestibular daquele ano (1995). Assisti novamente e, ainda de graça pois a sala em que ele passava era, na época propriedade do meu professor de teatro. Consegui fazer parceria dele com o colégio - Pio XII - e levamos todos os alunos do Colegial a assistir. Eu ia em todas as sessões rs.
Apesar do filme ser baseado no romance de Lígia Fagundes Telles, a história das 3 amigas
Lorena (Adri), Ana Clara (Cláudia) e Lia (Drica) que vivem num pensionato
na época da Ditadura Militar não é fiel à obra, são leituras diferentes, mas ambas muito bem construídas e delicadas.
Faz muito tempo que li pela última vez o livro e assisti ao filme, mas, pelo que
me lembro, o livro mostra mais o lado da Ana Clara (envolvida com drogas). Já o filme, além de mostrar o drama de Ana Clara, dá destaque também à Lia (a revolucionária) que está envolvida com o namorado preso por conta
Ditadura e, dando bastante destaque à jovem romântica - no início meio alienada ao momento histórico pelo qual o Brasil vivia - a única rica do trio, mas que possui uma relação bem fria com os pais e uma paixão platônica por um homem bem mais velho - médico que socorre uma pessoa de sua família no passado. Adri, Drica e Cláudia estão ótimas (Cláudia foi indicada e recebeu um prêmio na época), mas a personagem de Adriana é a que mais mostra evolução da personalidade e amadurecimento ao longo da história, o que pra mim, possibilitou sua intérprete uma atuação mais diferenciada pra destacar o amadurecimento que Lorena ganha. Tanto no livro, quanto no filme, é por Lorena que me identifico mais, não só por ter sido interpretada pela Adriana, mas, também, por ter a personalidade mais romântica, tímida e "ingênua"como a minha.
da Ditadura.

Taís Almeida Cardoso - Adm. 
Vladimir Brichta  

Acabei de chegar do cinema onde assisti ao filme Bingo: O Rei das Manhãs! PERFEITO! Direção, trilha sonora, fotografia, elenco.... TODOS do elenco estão perfeitos, VLADIMIR BRICHTA ESTÁ FANTÁSTICO! 

Reparem bem que tem uma mega rápida participação de Arlindo Barreto, um dos intérpretes do palhaço Bozo, e o "verdadeiro Bingo (Bozo), cujo nome no filme é Augusto Mendes

 Vamos aos comentários: Amo todos os filme que tive a honra de consegui assistir de Vlad, mas esse, sem dúvidas, é o meu preferido dele!!!!!! Ele está soberbo em TODAS as cenas! Vlad coloca em Bingo uma pintada de humor com ironias nada infantis mas que fez de Bingo o palhaço de sucesso que Bozo fez nos anos 80! Com todo respeito, Wagner Moura, mas obrigada por não ter podido fazer o filme e entregado o palco e Bingo a Vlad! Não vejo outra atriz no papel de Carminha que não seja Adriana Esteves, no papel da Chayane que não seja a Cláudia Abreu, assim como não vejo outro ator no papel de Bingo! Eu cheguei a acompanhar o programa do Bozo quando eu era criança e, lembro de ser um palhaço diferente dos palhaços que eu via em circos...tinha umas piadas e brincadeiras meio "fortes" comparada à Xuxa, à Mara Maravilha e ao palhaço Carequinha  que também acompanharam minha infância e, eu gostava de todos! Assistindo às cenas de Vlad com o nariz e a máscara de Bingo ao lado das crianças, nas cenas do Programa do Bingo, eu lembrei desses momentos em que eu me divertia com as brincadeiras dos apresentadores infantis que foram meus 1ºs ídolos e que guardo com carinho todos, eu me diverti ao ver essas cenas como se eu tivesse voltado na minha infância e também amei ver o trabalho de toda uma equipe pra colocar no ar o que eu amava e continuo amando: televisão, cinema....Sempre tive curiosidade em ver como eram os trabalhos dos profissionais que ficavam atrás das câmeras, sempre gostei de assisti a Making Of de filmes, novelas, séries, programas em geral...

Me emocionei muito nas cenas de Vlad como Augusto em seus momentos com o filho Gabriel, feito de forma madura e competente pelo pequeno Cauã Martins! Me deu uma pequena inveja do Gabriel nos momentos mágicos e preciosos em que ele passou com o pai (sempre tive pai ausente...). As cenas foram lindas! Vlad e Cauã numa sintonia incrível!! Me fizeram juntos soltar lágrimas em vários momentos felizes e tristes pelo qual passam juntos (não vou entrar em detalhes pra não dar spollers), mas vários momentos parecia que Cauã era filho de verdade do Vlad, até o cabelo do Vlad (quando estava sem o cabelo do Bingo) fez Cauã estar parecido com ele. Aliás, Cauã, você é um fofo comigo no Instagram e quero desejar parabéns a você, é um ator promissor que tem um futuro brilhante pela frente!

Direção também primorosa! Em especial em duas cenas que me chamaram mais a atenção: uma cena de Augusto e Gabriel, o foco da cena é o Gabriel, mas por conta de ser uma cena forte, e ele ser menor de idade, a lente da câmera, que estava focando pai e filho, coloca em Gabriel, que está mais afastado da câmera, uma lente desfocada e focada em Augusto que está dormindo e imóvel, enquanto Gabriel, que é o protagonista da cena, tem seus movimentos meio que cobertos por essa lente desfocada,  propositalmente, mas, dando ao espectador a clara noção das ações do menino e, essas ações irão gerará consequência na vida de ambos. Uma outra cena, é a uma em que Augusto está saindo dos estúdios que ficam atrás do cenário do Programa do Bingo e vão se apagando a medida que Augusto vai andando, pelo corredor, em direção a saída dos estúdios. O clima da cena e o motivo pelo qual ele está saído....esse jogo de luz ficou nesse momento é sensacional!!! Assim como a cena em que Augusto presenteia o filho com uma brincadeira que eles faziam juntos, cenas marcantes....emocionantes e que têm muita importância dentro do contexto do filme!

Parabéns, muitos aplausos a todos da equipe responsável por essa obra de arte que pretendo ter na minha coleção de DVDs, Blu-reys... e, meus parabéns especiais a Vladimir Brichta que, mais uma vez, prova a minha admiração e justifica o fato de eu ser sua fã há 15 anos!

 Taís Almeida Cardoso - Adm.

23/08/2017 - 17:19

Inspirado no 1º Bozo, 'Bingo' mostra bastidores do programa

  Show se tornou um fenômeno da TV brasileira e da cultura pop na década de 1980.


Por: Giovanni Oliveira
giovanni.oliveira@diariosp.com.br

 Os anos 1980 podem ser resumidos em uma palavra: exagero. Uma rápida busca na internet e está tudo lá: as roupas coloridas, os penteados extravagantes, a maquiagem destacada... Era tudo demais! E que figura melhor representa este exagero senão um palhaço? Seu sorriso invade as bochechas, o cabelo é enorme, os sapatos são gigantes e o nariz sobressai ao rosto. A história de Arlindo Barreto, homem que deu vida ao primeiro palhaço Bozo e inspirou "Bingo - O Rei das Manhãs", também pode ser resumida nessa palavra.
Mais CINEMARK
O filme é um espetáculo. Uma ópera dramática que narra a ascensão e queda de um homem que queria apenas ser reconhecido por seu trabalho. Filho de uma grande atriz, Augusto Mendes (Vladimir Brichta) ganha a vida atuando em filmes de pornochanchada. Divorciado, ele mantém um bom relacionamento com seu filho Gabriel (Cauã Martins).
Porém, decidido a dar um novo rumo a sua carreira, ele faz uma ponta em uma novela da Mundial, a maior emissora de TV da época. Infelizmente, o trabalho não dá muito certo, e é então que ele encontra a oportunidade de sua vida na TVP (emissora concorrente): estrelar a versão brasileira de um programa de sucesso dos Estados Unidos: o show do palhaço Bingo! Mas há uma condição: ninguém pode saber quem é o homem por trás do nariz vermelho.
É aí que Augusto vive seu maior dilema. Ao assumir a máscara de Bingo, ele alcança o estrelato e o anonimato ao mesmo tempo. Seu jeito irreverente e politicamente incorreto conquista as crianças e alavanca a audiência da emissora. Mas com a fama, vêm os excessos. Augusto mergulha no mundo das drogas e apresenta ao espectador uma contradição: o homem que de dia alegra as crianças, à noite se mostra um péssimo exemplo para elas. No entanto, seu filho é quem mais sofre com o novo trabalho. De protagonista, passa a ser coadjuvante da própria relação entre pai e filho.
Com uma excelente orientação de Daniel Rezende, que faz sua estreia como diretor, passeamos entre os altos e baixos da vida de Augusto e todos aqueles que o cercam. O roteiro e o texto de "Bingo" são excepcionais, e conseguem gerar esperança, medo, tensão e alegria em vários momentos. A maior parte deste acerto se deve a Vladimir Brichta, que apresenta definitivamente seu melhor papel. Recém saído da novela "Rock Story", da Rede Globo, Augusto (e Bingo) nada lembram seu último personagem.

Com uma excelente montagem, fotografia, ambientação, trilha-sonora e estética que nos fazem acreditar que o filme foi realmente gravado em 1980 e mantido numa cápsula do tempo até hoje, "Bingo - O Rei das Manhãs" não é um filme sobre um palhaço ou um programa de televisão. É sobre as piadas sem graça que tornam a vida de um homem um drama.
Confira o trailer:


Bastidores Segundo o diretor Daniel Rezende, o papel de Bingo foi inicialmente pensado para o ator Wagner Moura. Porém, devido aos conflitos de agenda, já que o ator estava envolvido com outros projetos, Vladimir Brichta foi indicado pelo próprio Wagner para viver o palhaço Bingo. "Eu fui tomar um café da manhã com o Vladimir para conhecê-lo e, no 'bom dia', eu falei: 'cara, é ele'", revela o diretor. Durante a preparação para o personagem, Brichta teve aulas com o ator Domingos Montagner e se apresentou num circo de verdade sem que o público soubesse de sua presença.

Cláudia Abreu 





Crítica  sobre Berenice Procura
Eu gostei muito do filme. Assisti na Mostra São Paulo, dia 1º de novembro.
Confesso que o que me atraiu a assistir foi a Cláudia Abreu, de quem sou fã há 26 anos. Não curto muito esse tema de transgênero - que agora está na moda - mas curti muito o filme pelo fato de, além de ter a presença da Cláudia que, por si só, já vale qualquer elogio e compra do ingresso - ela dá veracidade, humanidade e brilhantismo a uma personagem que começa a história sem nenhuma vaidade e completamente avessa ao feminismo, e, que ao longo do filme vai se tornando mais feminina e apaixonada por um ideal - descobrir quem que tirou de forma brutal a vida da única amiga que seu filho tinha -
(isso proporciona à Cláudia construir duas personalidades pra Berenice  de tímida e séria pra uma Berenice feminina, ousada) - e ela diz isso ao personagem do Emilio - que torna bem claro o motivo de ela ter se tornado "detetive de uma hora pra outra" como a crítica do Adoro Cinema observou. Pra mim, essa transformação em detetive não foi feita de uma hora pra outra não. Desde o início do filme vimos uma Berenice solitária, mas, ao mesmo tempo, independente, batalhadora e OBSERVADORA, ela não faz apenas o trabalho de dirigir um táxi e levar seus passageiros aos seus destinos, ela faz isso com olhos de águia observando tudo: desde os comportamentos dos passageiros dentro de seu carro até os locais onde ela os leva. E, isso já mostra que ela é uma pessoa que pega as coisas no ar, está atenta a tudo. O lado "detetive" dela sempre esteve acompanhando ela em sua trajetória de taxista, mas estava dentro dela, com o assassinato de Bella, essa vocação que estava escondidinha dentro de sua alma é colocada pra fora pra colocar o(a) culpado(a) na cadeia e livrar um inocente da acusação de ser o assassino. Acho que teve uma falha ou outra, mas que filme não tem? Acho q tem uma cena que não tinha necessidade de passar, pra mim, essa cena não acrescentou em nada o filme e não faria falta caso não a tivesse.
Acho que o romance de Berenice com um homem poderia ter começado bem antes do que começou pois assim, teria mais tempo pra desenvolver ele, e, como eu amo romance, pra mim o filme ficaria mais romântico, mas essa não era a proposta desse filme, mas se os personagens tivessem se conhecido logo poderiam os 2 juntos se unirem pra descobrir quem causou a morte de Belle. Eu amei a química entre Cláudia e Emílio
(torço muito pra que os 2 voltem a trabalhar juntos em outros projetos, de preferência como par romântico). Um artifício que eu adorei no filme foi mostrar mais de uma vez a mesma cena só que em ângulos diferentes pra que a mesma cena que foi mostrada pela 1ª vez sob o ponto de vista de um personagem, seja mostrada novamente sob o ponto de vista de outro personagem - recurso muito usado na minissérie Justiça, da Globo, mas pouco usado nos filmes e novelas, e que eu sempre adorei! Há detalhes importantes que eu, quando for assistir outras vezes - porq esse filme pretendo ter em DVD/Blue-rey - vou procurar estar mais atenta pra que não passe nenhuma pista despercebida pois teve um acontecimento que não ficou muito claro pra mim.... Vou parar por aqui pra que não saia nenhum spoiler feito por mim, rs.
No geral, as atuações, direção e roteiro se encaixaram perfeitamente e, destaque também pra trilha sonora que é linda e pelas paisagens do Rio de Janeiro, cidade que eu amo e admiro, mesmo eu sendo paulista. O filme vale a pena muito ser visto pra quem curte mistério, bancar o detetive junto com Berenice e, junto com ela ir, ao longo do filme, tentando desvendar o mistério não só do assassinato mas também das relações entre as personagens.  

Assisti dia 24 de maio de 2017. Eu que adoro filmes de suspense - com toques de terror - O Rastro não me decepcionou! Levei uns sustos nuns momentos, graças à fotografia e a trilha sonora que são perfeitas pra cada cena, um primor a parte que não deixam em nada a desejar em relação aos filmes americanos desse gênero! 
A história deixa uns mistérios no ar, como a relação de Olívia (Cláudia Abreu) e João (Rafael Cardoso) no passado.... Aliás, Cláudia não é a protagonista do filme - e sim Rafael e Leandra Leal - mas as cenas em que está com sua Olívia, são importantíssimas pra se entender os mistérios que envolve o personagem de Rafael e o personagem principal do filme - O Hospital Público - onde se passa 95% da trama. E Cláudia arrasa só nos olhares, nas sutilezas e, discrição aparentemente - de uma médica discreta, como qualquer outra que trabalha num hospital em decadência da rede pública do Brasil, mas só aparentemente..... 
Conclusão: Saí da sala de cinema satisfeita com o filme, com as ótimas interpretações dos atores - em especial Rafael, Cláudia, Leandra e a garotinha que é um ponto chave da história - mas triste e cada vez mais decepcionada em como a vida humana é tratada no Brasil pelos poderosos....
Taís Almeida Cardoso - Adm.


Débora Falabella

Grupo de Débora Falabella estreia 'Love, Love, Love', peça sobre embates geracionais

18/03/2018 02h00

Depois de "Contrações", o Grupo 3 –fundado por Débora Falabella, Yara de Novaes e Gabriel Fontes Paiva– volta à dramaturgia do inglês Mike Bartlett com "Love, Love, Love", que chega a São Paulo nesta sexta-feira (23) após uma temporada no Rio.
O espetáculo é dividido em três atos e transita dos anos 1960 aos 2010. Mostra diferentes gerações de uma mesma família, com seus idealismos e decepções políticos, sociais e de relacionamentos. A história começa em 25 de junho de 1967, quando houve a primeira transmissão ao vivo de televisão via satélite, com os Beatles cantando "All You Need Is Love" nos estúdios Abbey Road.
Na montagem, Eric Lenate dirige Debora, Yara (vencedora do Prêmio Shell-Rio por sua atuação), Augusto Madeira, Alexandre Cioletti e Mateus Monteiro.

Teatro Vivo. Av. Dr. Chucri Zaidan, 2.460, tel. 3279-1520. Sex.: 20h. Sáb.: 21h. Dom.: 18h. Estreia 23/3. Até 27/5. 110 minutos. 14 anos. Ingr.: R$ 50 a R$ 60.

Muito boa a peça! Conta a história de um casal mostrado em 3 fases da vida - quando se conhecem (anos 60), a relação com seus 2 filhos (um casal) tem 16 e 14 anos (acho que anos 80) e quando seus filhos já estão adultos - nos dias atuais) . A história se passa em Londres. Achei a peça super dinâmica, ótima trilha sonora, atores muito bem entrosados, e eu curto quando os atores saem de seus personagens por alguns segundos pra se trocarem e/ou mudarem o cenário da peça. Uma coisa que fiquei curiosa e acabei esquecendo de perguntar pra Débora, quando falei com ela, foi de um objeto de cena (q não vou dizer qual) fica intacto em cima do palco durante toda a peça, nas 3 fases da história. Parabéns a todo elenco, recomendo muito!
Taís Almeida Cardoso
Adm.

Filmes Variados
Os Incríveis 2
 Mais uma animação que eu amo! Eu já tinha adorado Os Incríveis - tenho o Blu-rey - e amei ainda mais a continuação das aventuras dessa família incrível! Mais efeitos, mais ação, mais emoções nas relações entre os membros da família. O destaque vai pro Zezé que mostra seus poderes - já mostrado no 1º filme, mas no final da história, sem que os pais tivesse conhecimento de que ele também tem super poder e, agora, eles vão saber! Diversão garantida!



Moana (2016) 
Uma jovem decide velejar através do Oceano Pacífico, com a ajuda de um semi-deus, em uma viagem que pode mudar a vida de todos.
Data de lançamento: 5 de janeiro de 2017 (Brasil)
 Amo animações! Tanto que mesmo já adulta, continuo assistindo Animações no cinema e tenho algumas em DVD e Blu-rey. Recentemente, assisti no Telecine uma animação que eu não consegui assistir no cinema. Moana! Uma fofura! Efeitos especiais incríveis - em especial aos efeitos usados pro mar e cenas com água. A Moana é uma fofura a parte! Na 1ª fase, bebê, e depois pré adolescente. Aliás, a idade da heroína dessa aventura difere bem das heroínas dos outros desenhos da Disney e de outras produtoras: ela é, acho, a heroína mais novinha que uma animação já teve, é, talvez por isso, que seu parceiro nas aventuras seja um cara bem mais velho, atrapalhado, que, não tinha um caráter meio ambicioso e, que desde e o momento em que se conhecem - que não é no início do filme - eles se tornam complíces e mesmo não se tratando de casal, possuem química e formam uma dupla delicada, hilária e linda! Uma animação que já tomou um espaço no meu coração e logo tomará espaço junto da minha coleção!

Como Nossos Pais (2017)
Como Nossos Pais
2017 ‧ Drama ‧ 1h 42m

Rosa é uma mulher que almeja a perfeição como profissional, mãe, filha, esposa e amante. Filha de intelectuais e mãe de duas meninas pré-adolescentes, ela se vê pressionada pelas duas gerações que exigem que ela seja engajada, moderna e onipresente.

Data de lançamento: 31 de agosto de 2017 (Brasil)
Elenco
 Assisti no dia 11 de setembro. AMEI!Estou muito feliz e orgulhosa com a safra de filmes brasileiros nessa época. Assisti os 3 que estão em cartaz atualmente O Filme da Minha Vida, Bingo: O Rei das Manhãs, e agora, Como Nossos Pais e, o que é ainda mais especial: NENHUM DELES É COMÉDIA! Algo mega raro - filme nacional ter salas lotadas e ser sucesso de público e NÃO ser comédia, pra mim isso já é uma VITÓRIA para nosso Cinema! Assim como os 2 anteriores, Como Nossos Pais é drama e envolve relacionamento da protagonista com a família (casamento, filhos, pais), com o trabalho. Como Nossos Pais conta esse drama de forma leve - mas que tem um toque de direção que o deixa de fora da lista de "filmes sessão da tarde" ele vai muito além disso por conta da direção, atuação da Maria Ribeiro, do Paulinho Vilhena são bem convincentes, assim como das 2 meninas que fazem as fofíssimas filhas do casal e uma linda atuação de Clarisse Abujamra atriz que eu não conhecia e que me emocionou com a personagem Clarisse, mãe de Rosa (Maria Ribeiro). Eu não conhecia a atriz e adorei vida que ela deu pra personagem nos altos e baixos momentos em que ela tem com a filha. A trilha sonora também é linda!! Adorei ouvir a música Como Nossos Pais - de Elis Regina - tocada no piano pela Clarisse! E, ver a peça Casa de Bonecas do Ibsen - que eu li recentemente pra Pós Graduação - foi especial pra mim, me tocou profundamente. O longa já foi premiado, ele foi o
grande vencedor do Festival de Gramado 2017, levando 6 Kikitos.

O Estranho que nós Amamos (2017)

Data de lançamento: 10 de agosto de 2017 (Brasil)

Recentemente (dia 23 de agosto), assisti, no cinema, ao filme Um Estranho que nós Amamos e vivenciei uma experiência estética. Produzido em 2016, trata-se de uma refilmagem de um longa de 1971, ambos baseados na obra escrita por Thomas Cullinan. A história se passa em 1864, três anos após o início da Guerra Civil Americana (quando o Norte dos EUA luta contra o Sul em defesa do fim da escravidão). Nessa nova versão, a direção ficou a cargo de uma mulher, a diretora Sofia Coppola, que esteticamente valorizou o cotidiano de um grupo de  mulheres (adultas e adolescentes) isoladas numa propriedade na Virginia, ao sul dos EUA, em meio à guerra.

Logo no início do filme, o cantarolar de uma menina, caminhando por um bosque tranquilo em busca de cogumelos contrasta com uma legenda informando a data em que se passa a história, 1864, três anos após o início da Guerra, e com a presença de um soldado gravemente ferido. O foco maior dessa cena é para o ambiente em que eles se encontram: a natureza, o diálogo entre a garota e o homem ferido e o amparo que ele recebe dela. Essa imagem sinaliza uma construção estética interessante que será realizada pela diretora para valorizar o conflito vivido pelas mulheres, confinadas num internato.

Sob o comando de Martha Farnsworth, uma mulher mais madura, papel vivido por Nicole Kidman, o Cabo do exército, John McBurney , feito por Colin Farrell, é  recebido pelas moradoras da mansão, momento em que descobrem que ele é do exército do Norte, um opositor. Mesmo sendo delicadas e frágeis, elas o  acolhem para não deixa-lo ferido ao relento e Martha é capaz de extrair pedaços da bala que estavam alojados na perna do soldado como se fosse uma profissional e costurar o ferimento como se estivesse bordando. Costurar e bordar eram tarefas que, naquela época, as mulheres brancas costumavam exercer. Enquanto as meninas aprendiam essa tarefa, Martha usou para realizar uma cirurgia, outro contraste interessante construído pela diretora.

A vida daquele homem estava na mão das mulheres da casa. A estética refinada e delicada do ambiente vai sendo desconstruída pela tensão de uma cirurgia que, numa única cena, revela a força da figura feminina que será a fonte do destino da vida do homem, das mulheres, e de toda a trama no decorrer dos 93 minutos que possui o filme. A cena da cirurgia é tensa e me causou desconforto. A câmera focou na ferida e acompanhou a pinça indo para dentro do ferimento e arrancando pedaços da bala, e todos os movimentos da linha na pele machucada do homem. Uma cena longa e bem detalhada. A mulher, aparentemente frágil, delicada, o que na figura de Nicole ficou muito bem representada – revelou-se uma mulher segura, forte e que, por ser sozinha e ter que cuidar de uma casa e das meninas, tem que estar preparada para enfrentar qualquer situação. Nessa cena revelou-se a verdadeira força da mulher, muita vezes considerada o sexo frágil e dependente da figura masculina.

Mesmo tendo que tomar decisões graves, Martha não perde o desejo feminino por aquele homem ao longo do filme. Esse contraste, bem explorado pela diretora, constrói a estética do filme, revelando a essência da figura feminina: razão e emoção.

O ambiente da propriedade em nada lembra a tensão e o sofrimento de um país que estava em guerra, como se a mansão onde Martha vive com as demais meninas fosse dentro de uma redoma de vidro. Nada da guerra atinge a casa, o barulho das bombas e tiros ao longe contrasta com o som de pássaros. A guerra, simbolizada pela fumaça, é o pano de fundo para unir o Cabo à história dessas mulheres.

Outros aspectos da estética desse filme poderiam ser explorados mas o que vale nesse momento é ressaltar o que experimentei ao assistir ao filme. Pensei nas mulheres de hoje que continuam fortes e independentes mesmo sem perder a feminilidade, capazes de tomar decisões e agir com objetividade em situações difíceis que tiverem que enfrentar em suas vidas, mesmo tendo que passar por cima de seus sentimentos, como Martha.
Fraternidade é Vermelha - 1994
Dirigido por Krzysztof Kieslowski.
Elenco: Irene Jacob, Jean-Louis Trintignant, Jean-Pierre Lorit, Teco Celio, Jean Schlegel, Frédérique Feder, Juliette Binoche, Benoít Régent, Julie Delpy, Zbigniew Zamachowski, Samuel Le Bihen e Marion Stalens.
Roteiro: Krzysztof Kieslowski e Krzysztof Piesiewicz.
Produção: Marin Karmitz.
Assisti hoje (20/08/17, num Cine Clube criado num hotel, aqui de Campinas, que comecei a frequentar em abril desse ano ) gostei muito. Já tinha ouvido falar nesse filme que é o 3º de uma Trilogia das Cores do diretor Kieslowski que se inspirou nas cores da bandeira da França. Delicado, mostra a relação entre uma bela e jovem modelo com um senhor juiz aposentado que, mesmo vizinhos, nunca se encontraram até surgir uma tragédia que os coloca um de frente pro outro. Essa tragédia - graças a Deus - termina bem, o que me faz ter tido carinho pelo filme logo no início do filme. Ainda quero assistir o 1º e o 2º filme da Trilogia A Liberdade é Azul e a Igualdade é Branca.



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